Escrevi este texto depois de conversas que tive no meu LinkedIn e principalmente depois do que vi de perto na ICE Barcelona 2026, realizada entre 19 e 21 de janeiro de 2026, na Fira Barcelona Gran Via.
A mensagem que ficou mais clara para mim é simples: em 2026, regulação não é um “tema jurídico”. Ela já está no centro da reputação, das parcerias e da sustentabilidade de qualquer operação séria no iGaming.
Quando a indústria cresce, ela vira pauta e quando vira pauta, ela é cobrada
Existe um ponto de virada que muita gente subestima: quando um setor ganha escala, ele deixa de ser “nicho” e passa a ser tema de interesse público.
E aí muda tudo:
- a cobrança aumenta (de consumidor, imprensa, reguladores e parceiros),
- o custo do erro sobe,
- e reputação vira ativo ou passivo.
Na ICE, o tom das conversas foi menos “quem faz mais barulho” e mais “quem tem processo para durar”.

4 aprendizados que eu trouxe da ICE Barcelona 2026
1) Regulação deixou de ser “freio” e virou filtro de confiança
O debate não é mais “regular ou não regular”. É como você opera dentro de um mercado regulado sem virar risco ambulante para a sua marca e para os seus parceiros.
Regulação, na prática, virou um filtro de confiança:
- para fechar parcerias,
- para entrar em canais de distribuição,
- para sustentar presença pública sem susto.
E essa mudança não acontece “sozinha”. Ela precisa de método.
2) Combate ao ilegal: não existe mercado forte com “rota fácil” concorrendo
Outro tema recorrente foi o mercado ilegal.
Se a regra aperta de um lado e o “sem regra” do outro vira rota fácil, a conta chega:
- perde o consumidor,
- perde o regulado,
- e o setor todo vira pauta negativa.
A própria programação do evento deu espaço para discussão sobre riscos do mercado não licenciado e como “retomar controle”.
3) Brasil no radar: Casa Brasil foi um sinal de referência
O Brasil apareceu com força no contexto global, com Casa Brasil como espaço de reuniões e briefings de alto nível, voltado a lideranças institucionais, regulatórias e do setor.
Isso é positivo, mas tem consequência: quando você vira “caso real”, a régua sobe.
O que dominou as conversas na ICE Barcelona 2026
Na ICE Barcelona 2026, ficou nítido que o setor entrou numa fase em que processo e reputação viraram vantagem competitiva e não como discurso, mas como pauta central de palco. Em painéis e rodadas de debate, “regulação” apareceu menos como burocracia e mais como custo real de operação, impacto em produto e condição para sustentar confiança com parceiros e mercado.
Regulação e custo de compliance como tema de liderança (não só jurídico)
Um dos sinais mais fortes foi ver a discussão do custo de compliance e das prioridades regulatórias tratada como assunto de gestão: o tipo de conversa que envolve estratégia, estrutura interna e tomada de decisão não apenas “checklist”.
Jogo responsável como parte do produto e da cultura de operação
Outro ponto recorrente foi a forma como o tema de safer gambling aparece como prática operacional (inclusive em discussões sobre cultura interna e engajamento de equipes), e não como uma frase colocada no rodapé para “cumprir tabela”.
“Black market challenge”: combate ao ilegal no centro do evento
O combate ao ilegal não apareceu como nota de rodapé e virou tema estruturante do evento, com sessões dedicadas e recortes específicos (incluindo discussões sobre o Brasil e sobre como regulação pode, dependendo do desenho, também empurrar parte do tráfego para o offshore).
Brasil no radar com a Casa Brasil e painéis sobre o mercado
E teve um símbolo difícil de ignorar: o Brasil como pauta organizada, com a Casa Brasil funcionando como hub de conversas estratégicas entre executivos e atores institucionais e com discussões dedicadas ao mercado brasileiro dentro da agenda do evento.
Conclusão
A ICE Barcelona 2026 reforçou uma coisa: 2026 não vai premiar quem faz barulho, vai premiar quem sustenta. Regulação, jogo responsável e combate ao ilegal deixaram de ser “tema jurídico” e viraram camada de produto, operação e reputação.
O Brasil já está no radar global. Isso é bom, mas a régua sobe. E a pergunta que importa é simples: como crescer sem virar problema?
Qual é, pra você, o maior risco do iGaming no Brasil em 2026 e o que você faria primeiro para reduzir esse risco?